Em 2015, o Brasil tinha menos de 100 megawatts de capacidade instalada de energia solar fotovoltaica. Em 2026, esse número supera 50 gigawatts — um crescimento de 500 vezes em dez anos. É uma das transições energéticas mais rápidas já registradas em qualquer país.

O que explica esse salto? Uma combinação de fatores que raramente se alinha tão bem: irradiação solar entre as mais altas do mundo, queda dramática no custo dos painéis, marco regulatório favorável e uma classe média que, pressionada por tarifas de energia crescentes, encontrou na geração distribuída uma alternativa economicamente atraente.

A Democratização da Energia

Um dos aspectos mais interessantes da expansão solar brasileira é sua relativa democratização. Não é apenas um fenômeno de grandes usinas — é também de telhados residenciais, pequenos comércios e cooperativas rurais.

O programa de microgeração distribuída, que permite que consumidores injetem energia na rede e recebam créditos na conta de luz, foi fundamental para isso. Hoje, há mais de 2 milhões de sistemas de microgeração instalados no país.

Os Desafios que Vêm

O crescimento acelerado também trouxe desafios. A integração de grandes volumes de energia intermitente na rede elétrica exige investimentos em armazenamento e em inteligência de rede que ainda não foram feitos na escala necessária.

Há também questões de equidade: os benefícios da geração distribuída têm chegado principalmente às famílias de maior renda, que têm capital para investir nos sistemas. Programas específicos para baixa renda existem, mas ainda têm alcance limitado.