A agricultura regenerativa — conjunto de práticas que buscam restaurar a saúde do solo, aumentar a biodiversidade e sequestrar carbono — saiu dos círculos de agricultores alternativos para entrar na agenda do agronegócio convencional brasileiro.

A mudança não é apenas ideológica. É também econômica e regulatória. Mercados europeus e norte-americanos começam a exigir certificações de sustentabilidade para produtos agrícolas. Investidores institucionais incluem critérios ESG em suas análises. E o próprio solo, degradado por décadas de agricultura intensiva, começa a cobrar sua conta em produtividade.

O Que É, de Fato, Agricultura Regenerativa

O termo é amplo e às vezes impreciso. No núcleo, estão práticas como plantio direto (que evita o revolvimento do solo), integração lavoura-pecuária-floresta, cobertura permanente do solo e redução de insumos químicos.

Não é necessariamente orgânico — muitos produtores regenerativos ainda usam agroquímicos, mas em quantidades menores e de forma mais precisa. O foco é na saúde do solo como fundamento da produtividade de longo prazo.

Os Resultados Preliminares

Fazendas que adotaram práticas regenerativas há cinco anos ou mais começam a apresentar dados interessantes: redução de custos com insumos, maior resistência a eventos climáticos extremos e, em alguns casos, produtividade igual ou superior à da agricultura convencional.

A transição, porém, é difícil. Os primeiros anos costumam ser de queda na produção enquanto o solo se recupera. Produtores precisam de capital para atravessar esse período — e de conhecimento técnico que ainda é escasso.